sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Grey days


Dias nublados me deixam bem. Eu tenho aquela sensação de nostalgia que me leva até dezembro. As fotos da minha infância aconteceram em dias de tempo fechado. Se me concentrar o suficiente posso sentir o cheiro do mormaço.  

As lembranças que surgiram em minha mente após a morte da minha vó me enchiam de tristeza. Mesmo que fosse pra lembrar da época mais feliz da minha vida. A tristeza vinha com a saudade, daquilo que nunca poderei tocar outra vez. Aqueles dias brilhantes, de céu nublado. 

Eu supero meus dramas, porque revisitar o passado me derruba. E eu não sei estar no chão, embora comece a me acostumar com o sentimento. Eu queria entrar na minha capsula do tempo.  

Estou vivendo dias cinzentos demais. Não são dias nublados, são dias de cor cinza. Acordar pela manhã me deixa cansada, a rotina de maus hábitos me massacra, a energia das pessoas me deixa sem a minha. Tenho convivido com um sentimento de fracasso que nem mesmo sei se existe ou se mora no meu inconsciente. 

E não é que não quisesse a minha vida. Apenas gostaria de uma versão diferente. Essa daqui não é aquilo que minha infância merece. Eu sei que não. E ainda assim preciso de muito mais força pra executar as coisas mais simples do que necessitava há alguns meses. 

É uma fase ruim. Aos poucos, começo a entender isso. Me forço a vivenciar as coisas que me deixavam bem, mesmo que aquilo não seja a minha vontade. Eu sei que o resultado de satisfação depois disso vai me deixar radiante.  

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Funeral


O dia ficou cinza. De alguma forma, quem controlava o tempo também estava triste. A tempestade daquele último momento refletia o meu humor, mas também trazia paz. Aquela água lavava as nossas almas. De alguma forma havia o pensamento que me reconfortava, o de que não houve sofrimento.

Não gosto de surpresas. Nem mesmo das boas. Não demorei muito a perceber que situações inesperadas me deixavam mais nervosa do que a outras pessoas. E admirava a capacidade de amar ser surpreendida. Não foi à toa que o telefonema no meio da madrugada me derrubou. Minha avó materna havia falecido. 

Na prática, eu conheço poucas pessoas que morreram. Talvez, por isso, que a morte seja o enigma que nunca resolvi. A sensação de que nunca mais irei ver alguém me deixa atordoada.  

A vida tem dessas pregar peças. Minha vó não tinha nenhuma doença, era uma das pessoas mais ativas e inquietas que já conheci. E um dia, sem mais nem menos, seu coração parou. Deixando pra trás uma legião de pessoas como legado. 

Amava quando ela me contava todas as aventuras do forró no último final de semana. Aquele que ela não convidava ninguém pra ir junto, mas que não deixava de conseguir pretendentes. Também adorava provoca-la. Era divertido fazer com que ela ficasse brava, porque nunca realmente ficava. Ela se divertia também. Tão doida que só poderia ser minha vó mesmo.  

Nunca era monótono estar com ela. Havia sempre uma história, uma risada, uma ideia maluca. Acho que por isso preferiu ir de uma vez. Sem despedidas, sem enrolação. Quando queria ir, tinha pressa. E também foi assim que ficou mais difícil dar adeus. É triste imaginar um mundo sem a árvore mais antiga e vibrante do nosso pomar.  

É ainda mais triste pensar que foi cedo demais. Ainda havia tanto pra gente rir. 

sábado, 30 de julho de 2016

Não vou me adaptar


Eu não lembro ao certo qual foi o momento que eu decidi que não iria beber. E quando digo isso, me refiro a bebidas alcoólicas. Não sei se meu inconsciente sempre soube ou se foi uma decisão tomada. Posso demorar a tomar certas decisões na vida, mas quase nunca volto atrás. E é assim até agora, aos meus 25 anos.

Meus pais sempre foram da galera e normalmente estavam dando algum tipo de festa ou realizando comemorações, desde a minha existência neste planeta. Então cresci no meio de toda aquela gente alegre, que ia ficando mais feliz a cada latinha de cerveja nova que pegavam. Eles compravam a felicidade por alguns centavos e é o que acontece até hoje. 

Não estou dizendo que meus pais são a razão pela qual eu preferi deixar de lado a bebida, mas provavelmente contribuíram muito pra isso. Tenho certeza de que não tivesse sido minha decisão desde o princípio da coisa toda, mais tarde eu a teria tomado. Veja bem, outras pessoas que tiveram exatamente a minha criação nesta família optaram por continuar assim e são perfeitamente felizes.

Acontece que ver as pessoas precisando mudar o seu comportamento me incomoda. Todo mundo me conta suas histórias de quando estavam bêbados e tomaram determinada decisão. Seguem justificando seus problemas baseados na coragem que o álcool as dá e coisas assim. Me dizem que as coisas são muito melhores e que lidar com suas vidas fica muito mais fácil. É uma fuga. 

Isso me faz lembrar uma outra história, a de Amy Winehouse. Quem assistiu ao documentário dela (que tive o prazer de recomendar aqui), vai entender o que estou falando. Em determinada parte do filme, Amy é indicada ao Grammy de 2008 e recebe de sua família e do pessoal que cuidava de sua carreira a condição de participar da premiação se estivesse sóbria. Sem drogas pra você hoje, Amy. Bem, ela realmente recebeu seu prêmio e conseguiu ficar limpa por aquele período. Mas há uma narrativa de sua amiga que conta que quando ela foi parabenizá-la, Amy simplesmente disse: 

"Jules, isso aqui não tem graça sem drogas"

Eu não quero que minha vida perca a graça. E não quero fugir dos meus sentimentos, das coisas ruins, das boas, que eu deixe de ser algo que eu não sou. E provavelmente esse foi sempre o medo que eu carreguei no fundo de mim enquanto eu via os amigos dos meus pais bebendo cada latinha de cerveja atrás da outra. E é esse o mesmo medo que eu tenho agora mesmo. 

A ideia de antidepressivos e anticoncepcionais, assim como com drogas também me causam esse tipo de medo. Entendo completamente a importância dessas coisas, tanto política, quanto pra saúde mental das pessoas. Mas é como anestesia. Vão te impedir de sentir coisas pra que você não sofra. O que não quer dizer que não esteja ferido. 

Estamos há anos conversando neste blog sobre o quanto sou feliz sendo quem eu sou e que não tenho a necessidade de me adaptar e ser como todo mundo espera que seja. Bem, a grande verdade disso tudo é que não confio na massa, não completamente. Juntos podemos ser mais fortes, mas também somos mais frágeis. 

É o mesmo todo mundo que leva pessoas como Amy Winehouse a desistir, que faz que com milhares de meninas sofram todos os dias, que outras dezenas de pessoas sejam infelizes no trabalho, que centenas de outras achem que não é suficiente. A ideia de normalidade causa isso nas pessoas e quanto a isso prefiro não fazer parte. 

Eu não vou me adaptar a coisas que não ache que sejam boas pra mim. Não quero fazer parte de uma história de destruição. Não vou buscar uma anestesia porque me disseram que é muito mais fácil assim. Porque eu não quero fácil, não quero ter medo da dor, do sofrimento. O que tenho medo é da facilidade, do que não é real. 

Eu não preciso me adaptar. E isto é uma certeza. 

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Really good times for a change


Eu tenho a palavra para o momento da minha vida: desmotivação. Eu esqueci quando foi a última vez em que me senti tão sem vontade na história da minha existência. Acredite, materializar este sentimento neste texto está sendo um mix gigantesco de força de vontade com a necessidade de me expressar. 

Estou faminta por mudança. Estou enlouquecida de vontade de dar adeus pra esse momento da minha vida. Está na hora do próximo passo, está na hora do move on. Estamos na hora da próxima fase desse jogo. Eu quero uma vida nova de novo outra vez. 

A comida não tem sabor, a música não faz o mesmo efeito, os filmes me dão preguiça, a leitura não rende, a rotina me cansa. O problema não são as coisas que fazem parte de mim. Elas ainda são minhas. É essa desmotivação, que me enche de tédio e que acaba comigo. Que me destroça, que me tira do eixo. 

E então, vida, qual será a nossa próxima aventura?