domingo, 16 de julho de 2017

Vivendo aleatoriamente


Eu tive que pensar em casa. Na vida que eu deixei quando fiz minhas malas. Há seis meses, eu estava decidida a dar adeus a tudo que eu conhecia. Tive que pausar um ciclo que fez com que eu sentisse que vivia um limbo sem fim, nessa coisa de tentar entender mais ou menos o que é esperado. 

Eu me lembro como se ainda estivesse acontecendo, de tão vívido, de estar encarando a tela do computador, sem entender muito bem os caminhos que minha vida iria tomar. Sem entender muito bem qual era a graça daqueles momentos de sonhos, sem grandes realizações. Bem, ninguém nunca havia dito que conquistar coisas fosse fácil, embora algumas façam parecer que sim, né? Eu pensei muito e muito no peso das minhas decisões e de certa forma preparada pra que isso pudesse implicar.

Mais o que nunca havia compreendido era como seria levar uma vida em um país completamente novo, numa cultura inteiramente diferente. Viver ficou descomplicado, justamente no momento mais complexo da minha existência. Eu estive presente. Sem futuro, sem passado. Apenas respirando, inspirando, absorvendo. Cada pedaço da existência daquilo que só existiu por muito tempo dentro da minha cabeça. 

Em algum ponto desses tempos loucos, eu apenas parei de ter medo. E fiquei. Mesmo que às vezes machuque pensar em casa e nas coisas boas que ficaram pra trás e que não couberam nas minhas malas. Ainda que muitas continuem existindo dentro de nós. 
 

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Até mais


Nesses dias aí completei duas semanas de intercâmbio. O engraçado é que parece muito com dois meses, de tantas experiências e coisas novas ao mesmo tempo. Vamos dizer que em um contexto geral a vida foi 50%, ás  vezes feliz, outras tristes. Por mais que tivesse pensado nisso, não tinha levado à sério que embarcar numa jornada é se despedir de quem somos

Eu coleciono filmes de experiências transformadoras (que até já compartilhei algumas escolhas lá no outro blog), mas nunca havia me enxergado para viver algo assim. Sempre fui uma observadora. Eu havia aceitado tanto o marasmo (que eu amo) que demorei uma semana pra entender que estava em outro país e ali seria minha casa dali pra frente. Aquilo ali não era uma viagem de férias, era toda uma transformação que acontecia em todos os segundos desde que saí do avião.

Quando peguei minhas malas e meu namorado pra estudar inglês do outro lado do oceano não sabia que eu iria enterrar o que eu era até o dia 27 de janeiro de 2017 - no momento em que me despedi daqueles que amo no aeroporto. Em duas semanas, tive que aprender não apenas um novo idioma, mas como fazer absolutamente tudo. Comer, se vestir (afinal, estou vivendo um inverno real pela primeira vez), beber café, se locomover, ir ao banco, nome das ruas, direções, costumes e uma infinidade de coisas que fazemos todos os dias sem perceber. Tudo ficou com cara de coisa nova, algo que nem sempre é fácil para aqueles com problemas de adaptação como eu. 

É voltar até aquela fase em que aprendemos a andar. Eu não sabia que encontrar a Sandy de alguns anos atrás, uma velha conhecida minha que era tímida demais pra ter amigos e que tinha medo da vida. Mas por sorte, quando eu deixei ela pra trás eu também aprendi a superar o que me afligia, aprendi a ter coragem

É por isso que espalhamos pelo mundo de que é melhor juntar dinheiro pra viajar. Porque embarcar é reconhecer o nosso redor e aprender muito sobre a nossa essência e do lugar em que consideramos o nosso lar e de onde está o nosso coração. Mas isso tudo não é uma regra de vida, é só um conselho. Por isso, tem tanta graça.

E agora eu sigo, nesse misto de despedida e de reconhecimento.