sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Esquecimento


Eu sinto que me afastei de mim. Não é estranho estar junto com você todos os dias e mesmo assim ter o sentimento que talvez não se conheça mais? Tem momentos que me sinto assim. Parece que fiquei observando o meu redor por tanto tempo, que parei de prestar atenção nas coisas que realmente importam. 

Lembram? De que eu não sou todo mundo e por muitas vezes fiz questão de que fosse assim. Eu aceito as pessoas por seus gostos e jeitos e tem horas que absorvo tanto tudo aquilo que esqueço que não faz parte de mim e que não está me fazendo feliz. Esqueço também que não é pra eu ficar esperando retribuição pelas coisas que faço pelos outros, porque não é isso que eu sou.

Tem dias que eu esqueço minhas músicas preferidas, por dar tantas chances a lista de canções de um outro alguém. E percebo que me sinto vazia, porque aquilo não me diz absolutamente nada sobre quem eu sou. E percebo também que nunca fiz questão de integrar as coisas que gosto na vida de outras pessoas, me dou bem com isso. 

Em outro dias me sinto tão desconectada por dentro, que quando me surge tempo livre, esqueço o que normalmente me faria feliz naquele momento. Eu não quero se esquecer de mim. Por nenhum momento sequer quero deixar de ser eu mesma. Porque eu sei que cada partezinha de mim, constrói aquilo que eu conheço. Tudo é importante, até mesmo aquele fio de cabelo branco que insisto em cobrir.  

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Sem mudanças


É o primeiro dia do ano. Obviamente, nada mudou. Não achei que mudaria. O ano começou do mesmo jeito que terminou o anterior: sem definição. Eu continuo não querendo não esperar que as coisas caem do céu, porque - na verdade- elas nunca caem.

As mesmas coisas que tiravam do sério ontem, no que passou, ainda estão aqui. A vida não se modifica, se as pessoas não quiserem. Elas não querem.

O problema sou eu. Sou eu quem se estressa com a atitude dos outros, que me chateio quando não cumprem com o combinado, quem não gosta de surpresas. O problema é mesmo eu, que desta vez não se preocupou em se adaptar.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Nublado


Eu tirei uma foto do céu. As nuvens estavam tão carregadas que pensei que se me esticasse o suficiente, poderia toca-las. Achei que fossem desabar na minha cabeça. Gostei tanto daquelas nuvens que percebi que era assim que eu me sentia, cinza, sobrecarregada, cansada e prestes a desmoronar. 

Eu tinha me esquecido como era ter dias ruins. Só nas últimas semanas eu tive uma coleção completa deles e acho que me esqueci de como era se sentir assim, principalmente por tanto tempo. Eu busco a resposta na minha cabeça, ela não vem. Não consigo pensar. 

Quando minha mãe me perguntou o que tava de errado, desmanchei. Chorei por mais de uma hora, praticamente sem conseguir respirar e não tinha respostas. Tinha desespero por nunca mais parar de chorar e ficar trancada pro resto da vida. Daí lembrei de quando meu pai me disse que as pessoas tinham limites de lágrimas. Chorei por medo de não poder chorar mais.

Tinha razões pra estar assim. Mas sentia que não possivelmente nada disso fosse o motivo pra desabar. Senti saudades de mim. Senti saudades de equilíbrio. Senti saudades de reconhecer as coisas ao meu redor. 

Eu amei aquelas nuvens. 

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Quando o mundo desmorona, não é aos poucos


Fazia muito tempo que eu não me sentia mal, como eu estou essa semana. Eu relevo muito coisa, perdoo fácil, deixo passar, mas hoje é um dia que não consigo enxergar isso em mim. Não tenho ideias que me animam, perspectivas que me motivam. Parece que só estou vendo o lado ruim de tudo. Que de realista, passei pra pessimista. Parece que quando é pra desmoronar, é pra ser de uma vez. Que a avalanche não vai te deixar correr. E não sei como reagir assim, a não ser deitar e esperar que o céu esteja claro mais uma vez.